E é justamente isso o que diferencia o artista do homem de ciência: o fato de que o primeiro se coloca diante do espetáculo do mundo como diante de uma cortina que não pode ser erguida, com o pressentimento de que ele mesmo é aquele de que o desvendamento do mundo é para sempre o encobrimento, ao passo que o segundo se acredita sempre em via de arrancar os véus e penetrar o segredo: "... se o artista, cada vez que se desvenda a verdade, só pode permanecer sempre em suspenso, o olhar extasiado, para o que resta ainda encoberto após o desvendamento, o homem teórico, por seu lado, é aquele que encontra apaziguamento e satisfação em ver arrancar o véu e não conhece maior prazer do que conseguir, por suas próprias forças, fazer cair novos véus.¹" (1985, 151-52) (¹-O nascimento da Tragédia, p.106)